quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Foi um encontro meramente casual.

Eles eram ex-namorados. Mas eram daqueles que ainda tinham muito o que conversar. Pois eis ai a oportunidade. Entre sorrisos bobos, uma super falta de jeito; depois de aquele discurso formal de ''ta tudo bem? como está a vida?'', ele teve coragem.
- É, ontem eu te vi. Tu estavas de mãos dadas com outro cara. -silêncio- Ele até que parecia te fazer bem.
- Acho que não é um bom momento...
- Calma, só quero que tu avises ele, que o jeito que ele segura as tuas mãos é errado, e que ele te deixou andar do lado de fora da calçada. Isso não se faz, pelo menos não contigo.
Os dois riram. Não era uma risada gostosa, era daquelas risadas que mais parece beijo sabe?
- Pois é, a gente anda se conhecendo a pouco tempo. Ele é bacana.
- Bacana não é o melhor adjetivo pra um cara que tu ta saindo, não acha?
- Na verdade, eu acho que...
- Ele não a deixou acabar -
- Eu sei, eu sei exatamente o que tu achas. Mas olha, eu sei que eu acabei contigo dizendo que eu queria ser livre, que eu queria curtir. Pois bem, curti um monte, realmente...Não é muito bom, mas eu curti a foça, com muito choro e com muitas pessoas falando que eu era um idiota por ter te deixado.
- Passou e...
- Por favor, eu preciso acabar de falar, porque por vezes eu tentei criar coragem de vir aqui e não consegui, então se o destino nos cruzou novamente, deixe-me falar. Aliás, pode me chamar de burro, chama, por favor! Burro é pouco, por não ter percebido o teu sorriso cativante, por não ter visto a curva dos teus cílios quase tocando nas tuas sobrancelhas, por não ter percebido antes que, quando tu estás brava, bate o pé insistentemente. Ah, tu também pode me bater. Me bate, vai! Me bate por ter te feito chorar e passar noites em claro. Não adianta negar, eu sei, te conheço...
E o silêncio reinou naquele lugar. Os olhos buscavam espaços onde nenhum visse o brilho do outro.
- Lembra nega, quando eu fazia birra e só te dava chocolate preto, mesmo sabendo que tu preferias o branco? Briga comigo por eu nunca ter usado aquela cueca que tu me deu. Briga também por eu não ter beijado tua testa com mais frequencia, enquanto podia; deveria ter largado o futebol no video game e ter ido na tua casa te dar um mimo. Aquele vestido verde, que tu usavas com o sapato preto muito alto, tu usavas sempre por que combinava com a cor dos meus olhos não é? E eu nunca percebi.
Uma lágrima caiu, e ela sorriu, mesmo querendo esconder.
- Nunca percebi também, que quando você estalava nos dedos, um de cada vez, era porque estava explodindo de ciúmes. Na verdade, eu nunca deveria ter largado a tua mão naquela noite, pra segurar o copo de bebida.
- Tudo bem, eu te desculpo.
- Não, eu não quero que me desculpe, eu não mereço. Mas fico feliz em ter te encontrado aqui, sem ninguém...acho que daria um soco na cara dele.
- Que bobo...
- Ta vendo? Eu sendo ridículo de novo. Eu não mudo nunca, não, quando se é pra pensar se tu segurastes a mão dele tão forte quanto segurava a minha, se tu mordestes a mão dele pra demonstrar carinho.
O jeitinho sem jeito dela, cada vez mais, fazia com que ele enlouquecesse de saudade.
- Só me diz que ele ta te fazendo sorrir. Só me diz se ele te faz feliz. Independente da resposta, se tu lembrar daquela noite que eu mudei de canal e tu me jogastes a almofada e me tapou de osso, e eu calei-te com um beijo e um pedido de namoro; se tu lembra desse dia, que eu te sujei com brigadeiro e te deixei irritada dizendo que eu achava linda a dançarina do Faustão, se tu lembra, me dá um sorriso. Nem que seja o último. Dai eu juro que não te perturbo mais. Mas sorri pra mim.
Ela sorri. Aliás, ela chora e sorri.
- Eu senti muito a tua falta, mesmo tu não merecendo nem a minha raiva, nem o meu desprezo. Vem cá!
Ela o abraça. Ele a beija.

Nenhum comentário:

Postar um comentário