Depois que tu me mandaste a carta, muita coisa tem acontecido e mudado na minha vida. Enfim, só consegui te responder agora. Nesses últimos três meses sinto que tu e tudo o que ‘deixei’ aí no Brasil tem se tornado cada vez mais distante aqui em Paris.
São tantas sensações: estar trabalhando em algo que eu realmente almejei mas morar em uma pensão; ter todos curiosos pelo meu sotaque gaúcho mas as pessoas frias e sem muitos contatos comigo. Tento lidar com tudo isso, tento nem pensar na minha volta, porque acredito que se viver o presente sem pensar seja menos receoso, sufocante e saudoso.
Confesso que escrevi esse e-mail e apaguei-o algumas (muitas) vezes..tinha decidido não te responder. Li, logo que cheguei por aqui, em algum livro que não recordo o nome, da autora que eu acho que o nome deve ser Patrícia Mores/Morales/M-algumacoisa , que devemos cortar o amor pela raiz, e desde então era isso que vinha tentando fazer. Que besteira não é? Decidi te responder, quando estava matando a saudade do Brasil ouvindo uma rádio online e tocou uma canção com a melodia tão linda e a letra tocante...’’como cortar pela raiz, se já deu flor. Como inventar um adeus, se já é amor’’. Nós merecemos uma explicação mais palpável. O nosso jardim demorou tanto pra ser construído e se deu de uma maneira tão bonita que é demais eu deixar as flores secarem sem ao menos dá-las um gole d’água.
Olha só: conheci uma pessoa aqui. Sentia-me muito sozinha e o destino, ou a sorte, me levarem/trouxeram ate ele. Marcus, desde então, tem me ensinado muito sobre arte e a cultura daqui, me levou a lugares incríveis, me fez saltar de asa-delta sem receio e me faz feliz. Acredito que a última parte vá te chocar um pouco e peço desculpas se te magoou. Sei que vai parecer clichê, mas quero muito, de verdade, do fundo do coração, que tu sejas feliz também.
O Frasson, meu cachorrinho, está na casa da minha mãe. Adoraria se tu fosses visitá-lo, tenho certeza que ele também gostaria..sempre gostou muito de ti. Ah, se a resposta para a visita for negativa, não tem problema. Não pense que tu és egoísta. Talvez eu faria o mesmo no teu lugar. Estamos tomando rumos diferentes. Nosso amor não esta menor, ele só mudou de forma.
Estou escrevendo essa carta na segunda garrafa de cerveja amanteigada..tu ia adorar. Alias, tomara que tu sinta esse abraço que me deu vontade de te dar agora. Não quero que deixemos de pensar com carinho um no outro.
Depois desses messes longe, desse tempo sem nos falarmos, acho que somos meros conhecidos que se conhecem super bem. Melhor dizendo, somos meros conhecidos que já se amaram super bem.
Só tenho que te agradecer pela sinceridade desde o primeiro dia e pelo amor até o último momento.
Saudades de ouvir Nenhum de nós e lembrar de ti.
Te cuida,
Luíza.
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