segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Não sei, mas depois

de novembro de 2011, criei uma aversão às festas de finais de ano. Desde o natal, onde o Papai Noel esquece de metade da população mundial -crianças, adultos, pretos, brancos, pobres, favelados- , até o ano novo, que apesar de ser símbolo de renovação também é tempo de família, e a tal está em falta com uma estrelinha no céu. Podemos pular as sete ondas, comer as sete uvas e um prato de lentilha sozinha, pular num pé só, jogar champanhe pra trás, guardar folha de loro, colocar calcinha arco-iris -pra ver se melhora pro ano que vai chegar, em todos os aspectos- e fazer mil e uma simpatias: o que tiver que ser, será! Mas em uma coisa, tenho que concordar com todos: final de ano é sim um ano de reflexões. O ano ta no fim, e tenho certeza que 95% das promessas não foram cumpridas, aliás, ninguém cumpre todas as promessas. 2013 vai ser diferente, pelo menos pra mim. Cansei de prometer o que eu não vou cumprir, tenho que deixar o ano rolar, tenho que fazer conforme o balanço do mar, dançar conforme a música. Sobretudo, o que se fez e se desfez, o que eu disse e desdisse, o que acreditei e logo depois achei que não iria dar certo..sobre tudo isso, a única coisa que peço é saúde, realizações e que os bens não sobressaiam nunca meus valores. Quero muitos sorrisos e risos -daqueles que fazem a barriga doer, sabe?-, apesar de entender que as lágrimas virão e serão necessárias para minha maturidade. Quero desapegar de tudo aquilo que me fez mal, conhecer pessoas novas e esquecer aquelas que me esqueceram; desapegar de velhos sentimentos e mágoas antigas, pra que esse espaço dê lugar a um sentido novo na minha vida, até pra eu ter força de deixar as pessoas, que insisto em segurar do meu lado, irem. Final de ano, é época de terminar aquee livro que está na cabeceira a alguns longos meses, de aprender a cozinhar alguma coisa especial, de beijar aquele garoto que toda a balada que você vai está lá, com uma camisa gola V de ''vem ni mim''; tempo de amar sem acreditar demais, de matar a saudade que corta o peito, encontrar quem perdeu no caminho e transformar o errado em certo, tempo de quebrar regras, faze-las novas e quebra-las novamente; tempo de finar-se ciclos, tempo de colocar pontos finais. Pensando bem, todo o fim de ano tem um gostinho de 21 de dezembro, gostinho de fim de mundo. 2013 está ai, apontando absolutamente novo e inesperado. Muitos, só nessa época colocam as palavras a funcionar, com o propósito de escrever com sua própria caligrafia, mais um ano de amores, dores, sucessos e fracassos. Não prometa mudanças que você não conseguirá cumprir, apenas aceite as que virão com o tempo, elas chegam naturalmente, de mansinho e viram um furacão! Portanto entenda que não fazer palos, é fazer planos e esperar que a vida te surpreenda. E acredite, ela irá te surpreender! Não coloque todas a sua fé em simpatias, dedos cruzados, no seu signo, ascendente, moedas jogadas no poço ou pedido à estrela cadente: tudo depende de você! Ok, não tem como negar que depende um pouco do acaso, é verdade, mas no que você puder atuar com carater, um belo sorriso e um coração cheio de amor - porque amor meu bem, esse nunca é demais- você estará meio caminho andado. 
Nos encontramos por ai, no ano que vem leitores. Vem ano novo, vem 2013, vem...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Inspiração Zero,

mas realmente não poderia deixar passar esse tão falado ''fim do mundo''. Encontrei então, um texto extraído do livro "Quatro Vozes", de Cecília Meireles, que acreditem vocês ou não, é basicamente o que eu queria escrever. Curtam ai, boa leitura! 

O Fim do Mundo 
    A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam. Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.(..) Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um. Dizem que o mundo termina em um dia muito próximo. (..) O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos - além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica. Se o fim do mundo for mesmo em agora, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna. Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus - dono de todos os mundos - que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos - segundo leio - que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração. Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos - insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total. Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for agora, todos teremos fim, em qualquer mês... 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Foi um encontro meramente casual.

Eles eram ex-namorados. Mas eram daqueles que ainda tinham muito o que conversar. Pois eis ai a oportunidade. Entre sorrisos bobos, uma super falta de jeito; depois de aquele discurso formal de ''ta tudo bem? como está a vida?'', ele teve coragem.
- É, ontem eu te vi. Tu estavas de mãos dadas com outro cara. -silêncio- Ele até que parecia te fazer bem.
- Acho que não é um bom momento...
- Calma, só quero que tu avises ele, que o jeito que ele segura as tuas mãos é errado, e que ele te deixou andar do lado de fora da calçada. Isso não se faz, pelo menos não contigo.
Os dois riram. Não era uma risada gostosa, era daquelas risadas que mais parece beijo sabe?
- Pois é, a gente anda se conhecendo a pouco tempo. Ele é bacana.
- Bacana não é o melhor adjetivo pra um cara que tu ta saindo, não acha?
- Na verdade, eu acho que...
- Ele não a deixou acabar -
- Eu sei, eu sei exatamente o que tu achas. Mas olha, eu sei que eu acabei contigo dizendo que eu queria ser livre, que eu queria curtir. Pois bem, curti um monte, realmente...Não é muito bom, mas eu curti a foça, com muito choro e com muitas pessoas falando que eu era um idiota por ter te deixado.
- Passou e...
- Por favor, eu preciso acabar de falar, porque por vezes eu tentei criar coragem de vir aqui e não consegui, então se o destino nos cruzou novamente, deixe-me falar. Aliás, pode me chamar de burro, chama, por favor! Burro é pouco, por não ter percebido o teu sorriso cativante, por não ter visto a curva dos teus cílios quase tocando nas tuas sobrancelhas, por não ter percebido antes que, quando tu estás brava, bate o pé insistentemente. Ah, tu também pode me bater. Me bate, vai! Me bate por ter te feito chorar e passar noites em claro. Não adianta negar, eu sei, te conheço...
E o silêncio reinou naquele lugar. Os olhos buscavam espaços onde nenhum visse o brilho do outro.
- Lembra nega, quando eu fazia birra e só te dava chocolate preto, mesmo sabendo que tu preferias o branco? Briga comigo por eu nunca ter usado aquela cueca que tu me deu. Briga também por eu não ter beijado tua testa com mais frequencia, enquanto podia; deveria ter largado o futebol no video game e ter ido na tua casa te dar um mimo. Aquele vestido verde, que tu usavas com o sapato preto muito alto, tu usavas sempre por que combinava com a cor dos meus olhos não é? E eu nunca percebi.
Uma lágrima caiu, e ela sorriu, mesmo querendo esconder.
- Nunca percebi também, que quando você estalava nos dedos, um de cada vez, era porque estava explodindo de ciúmes. Na verdade, eu nunca deveria ter largado a tua mão naquela noite, pra segurar o copo de bebida.
- Tudo bem, eu te desculpo.
- Não, eu não quero que me desculpe, eu não mereço. Mas fico feliz em ter te encontrado aqui, sem ninguém...acho que daria um soco na cara dele.
- Que bobo...
- Ta vendo? Eu sendo ridículo de novo. Eu não mudo nunca, não, quando se é pra pensar se tu segurastes a mão dele tão forte quanto segurava a minha, se tu mordestes a mão dele pra demonstrar carinho.
O jeitinho sem jeito dela, cada vez mais, fazia com que ele enlouquecesse de saudade.
- Só me diz que ele ta te fazendo sorrir. Só me diz se ele te faz feliz. Independente da resposta, se tu lembrar daquela noite que eu mudei de canal e tu me jogastes a almofada e me tapou de osso, e eu calei-te com um beijo e um pedido de namoro; se tu lembra desse dia, que eu te sujei com brigadeiro e te deixei irritada dizendo que eu achava linda a dançarina do Faustão, se tu lembra, me dá um sorriso. Nem que seja o último. Dai eu juro que não te perturbo mais. Mas sorri pra mim.
Ela sorri. Aliás, ela chora e sorri.
- Eu senti muito a tua falta, mesmo tu não merecendo nem a minha raiva, nem o meu desprezo. Vem cá!
Ela o abraça. Ele a beija.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

elasticidade moderna

Fulana mudou seu status de um relacionamento -aparentemente- sério para solteira. 
2 dias depois.
Fulana -novamente- está em um compromisso com Ciclano. 
E desde então, vão jogadas ao vento milhares de juras e declarações eternas de amor, com aquelas frases clichês. Mesmo que seja um ''bom dia'', tem que vir acompanhado de um ''eu te amo''; não contente, tem que ser posto no mural, para que todos possam ser testemunhas de uma paixonite aguda. Eu desconfio muito desses casais que se mostram felizes demais nas redes sociais. Nenhum relacionamento é perfeito a ponto de tanta melação. Toda a vez que vejo algum grude, exposição super excessiva de amor, quase um sufocamento entre casais, me pula uma pulga atras da orelha. Como se não bastasse casais que são um '''cuti-cuti'', ainda tem aqueles que dividem o perfil, e desses, é bom eu nem começar a comentar. Ridículo é, em fim de relacionamento sério, postar que sabia que principes encantados não existiam, esfregam na cara um do outro -principalmente quem levou o pé na bunda- que é muito mais feliz sozinho, com todos em todas as baladas possíveis. Fico pensando, alguns casais quando brigam e logo fazem as pazes, muitos, devem ao invés de correrem para o abraço, tascar um beijo daqueles, selar a paz 'pombiana'; colocam fotos juntos e logo postam ''o que Deus uniu, o homem não separa'' e logo ja mudam o status para só depois disto feito, ter aquele up corporal. 
Credo, como é difícil achar casais modernos que ao invés de trocar a senha da rede social, trocam segredos e experiências entre si, vão ao cinema e viajam um ao lado o outro, quee ficam dias no campo, longe de toda a conectividade e buscando a positividade... Acredito que qualquer manifestação amorosa, é mais confiável quando se é 'quieta', creio no amor baixinho sussurrado ao pé do ouvido, já é o suficiente! Aaaah o amor...

sábado, 1 de dezembro de 2012

Era meu último dia naquele consultório de psicologia,

já me sentia livre, e disposta a ouvir a resposta, então perguntei: Ei doutor, sou bipolar? Calmamente vi um sorriso se abrindo, pensei logo que já não ia ser tão duro ouvir a verdade, afinal, que atire a primeira pedra a mulher que não gosta de barbas mal feitas e se sorrisos largos. 
- Brunna, quer mesmo saber? tu evoluiu muito nesses últimos meses, alias, esse ano foi um grande ano de amadurecimento pra ti. quando chegastes aqui, mal conseguia ouvir que tu era ciumenta sim, e que mesmo negando, continuava sendo possessiva, e que mesmo brava, ia continuar a melhorar por ti, não por mim. A verdade, é que de bipolar tu não tens nada. O que eu vejo em ti, é uma guria com sentimentos intensos, cheia de expressões guardadas e extremamente sincera.
- É isso, exatamente ai que eu queria chegar. Nunca fiquei tão feliz em uma consulta, até que um dia a gente concordou em alguma coisa hein doutor! 
(risos, muitos risos e sorrisos tomaram conta na sala naquele momento. Me senti um tanto envergonhada, não sei se eu gosto quando as pessoas começam a me ''descobrir'' sabe. Tenho essa ''armadura'' justamente pra isso, pra ser o que eu sou, sem que muitos façam ideia.)
- Pois bem, -continuei- acredito que minha sinceridade ainda vai me render uma boa surra sabe. Como uma típica libriana, não mando recados, me perguntou terá a resposta, mesmo que ela seja dura.
Já dizia minha avó: Que fiquem tristes pela verdade sabendo do teu caráter, do que pela mentira, duvidando de todo o resto que já foi verdade.
- Quantas Brunnas moram ai? É por isso que tu te julga bipolar, não é? 
Não contive o riso. Confesso, que nem eu mesma sei responder. Sou tantas em uma só...
Foi então que ele explicou-me a origem da palavra sincera. A tal vem do latim e significa “sem cera”. Isso, porque antigamente na Roma Antiga, ao disfarçar os defeitinhos nas esculturas, os carpinteiros usavam cera, então os senadores pediam estátuas ''sem cera'', o que era um termo significativo de autenticidade. 
- Sinceridade é ser ''sem cera'', ser sem máscaras, sem retoques. - disse-me
- É ser sem querer ser o que não é. (complicado, filosófico, mas faz sentido). Não é triste ser sincera, é triste ser cera, tapando os error que, com o o passar do tempo, calor, frio e uso, acabam sempre aparecendo. Porque, doutor, não sabia o quão sem sorte era o homem de lata, por não ter um coração!